A análise é de Luis Nassif, disponível no Blog Luis Nassif On Line:
Há tempos venho alertando que a eclosão da crise econômica mundial e seus reflexos sobre a economia brasileira mudaria o tom da campanha política.
O curioso na história é que os maiores erros de Lula, um dos quais a política monetária irresponsável do Banco Central, foram endossados pela oposição. O bordão cansativamente repetido era a de que a melhor parte do governo Lula era a política do Banco Central, herdada de FHC. Não era isso?
Por não poder criticar os erros essenciais - apoiados por ela e pela mídia aliada - focam nos erros periféricos ou em críticas erradas.
O que se tem, hoje, é a seguinte salada:
1. Lula está minimizando a crise.
CRÍTICA FALSA. Muito do que ocorrerá no próximo ano dependerá das expectativas empresariais formadas agora. O presidente ter um discurso otimista é fundamental para ajudar a segurar a peteca. Obviamente é erro falar em “marolinha”. Tem que se admitir o tamanho do tsunami e continuar otimista.
2. A vulnerabilidade externa provocada pelo Banco Central – com o respaldo de Lula – vai ter um impacto pesado na atividade econômica.
CRÍTICA CORRETA – em todos os momentos Lula endossou a política irresponsável do BC, de apreciação cambial, de commoditização das exportações e de criação de déficit em transações correntes.
3. O subprime brasileiro é uma criação de Lula.
CRÍTICA CORRETA – Para reduzir a grita das grandes exportadoras, o BC criou essa excrescência do swap reverso e permitiu essa loucura do exportador ganhar no financeiro com a apreciação do real, para compensar as perdas no econômico. Tudo bancado pelo Tesouro. Meses atrás foi alertado para o risco de um estouro, mas não agiu.
4. Lula vai criar uma operação-hospital para salvar especuladores, em vez de aplicar recursos em novos investimentos.
CRÍTICA FALSA – o que rende mais para o país: impedir que uma empresa já em operação quebre ou financiando uma nova empresa? É evidente que a primeira alternativa é a melhor do ponto de vista custo-benefício. Desde que se beneficie a empresa, mas não os seus acionistas e gestores.
5. Lula vai promover uma estatização no país, ao permitir a compra de ações de bancos e empresas por empresas públicas.
CRÍTICA FALSA – o governo poderia dar dinheiro a fundo perdido (seria a típica operação-hospital), poderia encampar as empresas (seria estatização) ou poderia ajudar em troca de ações da empresa, sem mexer no seu controle. É evidente que a terceira alternativa é a que melhor preserva os interesses do país, ao permitir ao BNDES (ou CEF) ajudar, adquirir ações a um preço barato para revendê-las, mais tarde, valorizadas.